Itália 1934

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O FASCISMO ENTRA EM CAMPO
 
Com o avanço do fascismo, a Copa vira instrumento de propaganda política nas mãos do ditador italiano Benito Mussolini. Sobram suspeitas de fraude para favorecer o time da casa, que superou as fortes seleções da Espanha e da Áustria e conquistou o título com a virada de 2-1 sobre a Tchecoslováquia. O Brasil repete o fiasco de 1930 e não passa da primeira fase.
 
Mundial cresce, mas vira arma política

A Copa italiana teve dimensões muito maiores que o Mundial do Uruguai. Trinta e duas seleções se inscreveram, levando a Fifa a organizar as primeiras eliminatórias. O formato também mudou. A fase de grupos desapareceu e as 16 equipes classificadas disputaram mata-matas desde a rodada inicial.

Ao contrário da Copa de 30, o torneio teve a participação das principais seleções europeias, o que melhorou o seu nível tático e técnico. Espanha, Áustria e Tchecoslováquia competiram de igual para igual com o time da casa, que acabou levantando a taça. O campeonato só não foi melhor porque o Uruguai se recusou a defender o seu título. Retaliava, dessa forma, os europeus, que praticamente ignoraram o Mundial de 30.

Mas não foi o bom futebol e o equilíbrio entre as equipes a principal marca da Copa de 34. Consciente da popularidade do esporte entre os italianos, o ditador Benito Mussolini usou o torneio para fortalecer o regime fascista. Para que a estratégia funcionasse, Il Duce ?exigia? a vitória da seleção local a qualquer custo.

Além do reforço de cinco jogadores sul-americanos ? os argentinos DeMaria, Guaita, Orsi, Monti e o brasileiro Filó, ex-Corinthians ?, há fortes suspeitas de que a Azurra contou com favorecimento da arbitragem em sua campanha vencedora.

Mesmo assim, os tchecos quase estragaram a festa de Mussolini. Na final, abriram vantagem a poucos minutos do encerramento da partida. Mas, para o alívio dos fanáticos torcedores italianos, Orsi e Schiavio viraram o placar.

Wunderteam

As quartas-de-final foram completamente dominadas pelos europeus. Brasil, Argentina e EUA ? os únicos representantes da América ?, e Egito, viajaram com seleções fracas e voltaram para casa após perderem o jogo de abertura.

Apesar do apoio massivo da torcida, a Itália não teve vida fácil no torneio. Depois de massacrar os norte-americanos por 7 a 1, precisou de dois jogos ? em menos de 24 horas ? para derrotar a poderosa seleção espanhola nas quartas-de-final.

Na semifinal, pegou o Wunderteam austríaco, confronto que representava, para muitos, uma decisão antecipada do título. Mas em vez de bom futebol, os 60 mil torcedores assistiram a um jogo defensivo no estádio San Siro. O gol de Guaita, aos 19 minutos, garantiu a Itália na decisão.

Sua adversária foi a Tchecoslováquia, que depois de vitórias apertadas contra Romênia e Suíça atropelou a Alemanha na semifinal. Nejedly, artilheiro da competição com cinco gols, marcou três vezes naquela partida.

Orsi e Schiavio brilham

No dia 10 de junho, a decisão da segunda Copa do Mundo reuniu 50 mil torcedores no Estádio do Partido Nacional Fascista, em Roma. Mussolini assistia à partida das tribunas de honra, e já havia paralisado a capital italiana com uma festa de comemoração antecipada do título.

Mas, a 14 minutos do encerramento da partida é o tcheco Antonin Puc quem abre o placar. A reação italiana veio dez minutos depois com um tiro de Orsi. Na prorrogação, os tchecos não conseguiram igualar o condicionamento físico da Azurra. Logo no começo do primeiro tempo Schiavio desvia de cabeça um cruzamento de Meazza e estufa a rede do goleiro Planicka. Com 2 a 1 no placar, a Itália conquista sua primeira Copa do Mundo.

Campeão: Itália
Vice: Tchecoslováquia
3º lugar: Alemanha
4º lugar: Áustria
Artilheiro: Oldrich Nejedly (TCH)
Seleções: 16
Abertura: 27 de maio de 1934
Encerramento: 10 de Junho de 1934
Jogos: 17
Gols: 70 (média de 4,1 por jogo)
Público: 358.000 (média de 21.058 por jogo)
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